Cotidianamente,
alguns objetos são esquecidos ou não são observados com afinco, como grades de
janelas e portões e porta de microondas. Porém, para Rosângela Crespan, seu
olhar mais criterioso procura as formas que, despercebidamente, protegem ou
auxiliam nas várias tarefas corriqueiras ou simplesmente estão esperando para
serem notados. Iniciados na fotografia, seus estudos trazem ao público os
detalhes destes objetos através da manipulação das imagens, mas mesmo assim, é
possível identificar as formas do objeto, mesmo não o reconhecendo à primeira
observação.
A partir das
fotografias, que por si já são trabalhos prontos, utiliza também como um esboço
das suas colagens. Desta forma, oferece ao público sua criação harmônica do
conjunto da obra. Em uma delas busca inspiração no colorido que a estática
coleção de discos de vinil na estante deixam de ser inspiração à alma através
da audição. Agora as capas dos antigos LP’s abandonadas a inspiram visualmente.
Estas várias cores das capas, dispostas verticalmente, remetem às listras do
minimalismo e da op art. O trabalho de Rosângela Crespan se insere nos
conceitos destes movimentos do início do século passado tanto pela combinação
de tons e pelas formas geométricas como pela colagem.
Salientar,
entretanto, o resgate histórico da técnica é o que Crespan propõe. E, por mais
que pareça pintura, se observado a certa distância, a artista utiliza a técnica
iniciada por Braque e Picasso no cubismo para transpor suas observações
cotidianas sobre uma base de madeira onde se constitui lentamente o jogo de
cores estudado e estruturado para determinado trabalho.
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