domingo, 27 de janeiro de 2013

Rosângela Crespan - SESC da Esquina


Cotidianamente, alguns objetos são esquecidos ou não são observados com afinco, como grades de janelas e portões e porta de microondas. Porém, para Rosângela Crespan, seu olhar mais criterioso procura as formas que, despercebidamente, protegem ou auxiliam nas várias tarefas corriqueiras ou simplesmente estão esperando para serem notados. Iniciados na fotografia, seus estudos trazem ao público os detalhes destes objetos através da manipulação das imagens, mas mesmo assim, é possível identificar as formas do objeto, mesmo não o reconhecendo à primeira observação.



A partir das fotografias, que por si já são trabalhos prontos, utiliza também como um esboço das suas colagens. Desta forma, oferece ao público sua criação harmônica do conjunto da obra. Em uma delas busca inspiração no colorido que a estática coleção de discos de vinil na estante deixam de ser inspiração à alma através da audição. Agora as capas dos antigos LP’s abandonadas a inspiram visualmente. Estas várias cores das capas, dispostas verticalmente, remetem às listras do minimalismo e da op art. O trabalho de Rosângela Crespan se insere nos conceitos destes movimentos do início do século passado tanto pela combinação de tons e pelas formas geométricas como pela colagem.



Salientar, entretanto, o resgate histórico da técnica é o que Crespan propõe. E, por mais que pareça pintura, se observado a certa distância, a artista utiliza a técnica iniciada por Braque e Picasso no cubismo para transpor suas observações cotidianas sobre uma base de madeira onde se constitui lentamente o jogo de cores estudado e estruturado para determinado trabalho.

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